sábado, 18 de junho de 2011

A FINAL ONDE NOS VAMOS PARA...?


Rodoviária vira cabo de guerra

Enquanto Paes defende transferência, governo do estado estuda ampliação do terminal

POR FRANCISCO EDSON ALVES
Rio - Enquanto o prefeito Eduardo Paes planeja transferir a Rodoviária Novo Rio da Zona Portuária para outra região da cidade, o governo do estado já negocia projeto de expansão do terminal exatamente onde ele está. A Companhia de Desenvolvimento Rodoviário e Terminais do Estado (Coderte) tem até o desenho de como ficaria, já sem a Perimetral e, portanto, dentro dos planos do Porto Maravilha.
Em imagem divulgada pela Coderte, área aparece revitalizada, com 3 torres e já sem o Elevado da Perimetral | Foto: Divulgação
Na imagem divulgada ontem pela Coderte, a área de 28 mil m² aparece totalmente revitalizada, com três prédios de cerca de 40 andares. Segundo a companhia estadual, o projeto está “em estágio avançado de finalização”.
Ontem, Paes confirmou a intenção de retirar o terminal do Porto, pois não seria área central. Segundo ele, terreno do Dnit na Av. Brasil perto do Trevo das Margaridas seria o “local ideal”. “Irajá é, sem dúvida nenhuma, a melhor opção, onde dá para construir uma super rodoviária”, afirmou, salientando que ali seria ponto de integração dos novos corredores de ônibus BRTs.
Em nota, o presidente da Coderte, Ronaldo Francisco, defende que a atual região facilita a locomoção da população e dos turistas: “O terminal está em área central, necessitando que a prefeitura proceda sua adequação implementando melhorias no entorno”.
R$ 20 milhões em dois anos

A Socicam, empresa que administra a rodoviária, rebateu declarações do prefeito Eduardo Paes. Em nota, disse que a posição da rodoviária é estratégica e lembrou que, desde 1990, quando iniciou o contrato com o governo estadual, investiu R$ 50 milhões em — R$ 20 milhões só nos últimos dois anos — em melhorias de suas instalações de olho na Copa 2014 e Olimpíadas 2016.
Usuários da Novo Rio temem a transferência da rodoviária. “Rodoviária em Irajá não é uma boa, o trânsito na Av. Brasil já é caótico”, afirmou o analista de sistemas Fábio Viana, 34.“O trem e o metrô é que deveriam se integrar à rodoviária, que é bem-localizada”, disse a agente de aeroporto Larissa Ferreira, 18.

SER O NAO SER ES A QUESTAO...!

Carta que vale uma casa

Menino pede novo teto a parlamentar e ganha imóvel de R$ 70 mil na Providência

Rio - Do sonho à realidade em 43 dias. Em 5 de maio, o menino Bruno Henrique Cabral, 12 anos, sonhou que ganharia uma casa do projeto Cimento Social. Uma carta escrita por ele ao senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) mudou a vida da família: ontem, ele, os pais e os três irmãos ganharam um teto novo no Morro da Providência. O imóvel foi o sexto entregue na comunidade.
“Sei que tem pessoas que precisam mais, mas estou de favor na casa da amiga da minha mãe. As coisas para comer estão acabando. Com a casa mobiliada, minha mãe vai ter uma máquina de lavar para não precisar mais lavar minhas roupas e dos meus irmãos”, contou Bruno, aluno do 5º ano do Ensino Fundamental. Eles moravam num quarto de uma casa onde havia mais 5 pessoas.
O pai de Bruno, o carpinteiro Sinvaldo Ferreira da Costa, 40, ganha R$ 890 por mês e trabalhou na construção da sua nova residência.
“Eles viviam em um ninho de gato e o menino tem problema no pescoço por sempre dormir no sofá”, comentou Crivella, autor de emenda que prevê R$ 10 milhões para reformas e construções de casas na favela. O projeto conta com mais R$ 2 milhões da Prefeitura do Rio. Oitenta imóveis já foram reformados e mais 10 casas, construídas em outros municípios.
Fim das roupas guardadas em sacos

Acostumada a dormir com duas crianças em uma cama de solteira, a mãe de Bruno, a dona de casa Laura Ângelo Henriques, 27, se emocionou ao receber a casa nova. “Antes nossas roupas ficavam em sacolas, amarrotadas. Agora temos até armário”, destacou.
A continuidade do Cimento Social aumenta a esperança de outras famílias que vivem em situações precárias. Com quatro filhos, o pedreiro Luiz Jorge dos Santos, 37, e a faxineira Adriana Araújo, 34, por exemplo, vivem em um cômodo de pouco mais de 3 m².
Imóveis erguidos em 5 dias e entregues com mobília

As casas têm dois andares com sala, cozinha, banheiro e dois quartos amplos. Os moradores recebem o imóvel mobiliado, com valor entre R$ 60 mil e R$ 70 mil. A estrutura é erguida em cinco dias.

“A ideia é jogar no chão o que está em lugar de risco e oferecer um lugar digno para quem vive em condições precárias”, explicou Crivella, que tentará incluir o Jacarezinho no projeto, através de recursos para as obras do Programa de Aceleração do Crescimento.